quarta-feira, 10 de março de 2010

sentidos

eles podem ir para todos os lados
em qualquer direção, para cima,
para baixo, frágil
mas nem todos

silêncio de ferro

sento confortavelmente em poltronas
de cinemas antigos.
não passa nem um filme.
ou o filme sempre
da minha vida
ninguém me ouve

a moça da bomboniére
pergunta:
quer ficar mais escuro ?
o filme começou na tela grande
vejo o outro que não cessa
e sim, quero mais escuro

lembro que não é possível
é preciso atender o dia
ligar o sol e a voltagem

estou na festa e ninguém entende
querer ficar só
não tenho mais nem um livro
a seguir pode ser o tempo do livro
se houver palavra de liberdade nele
se houver asa concha ninho
o fulgor mas não à toa, com o sentido
compreensível e incompreensível
no palimpsesto

O QUE QUER DIZER, enfim a heroína grita
e é só mais diálogo de surdos

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